Carreira

    Como se Preparar pra Entrevista de Vaga Júnior de Programador

    Dev em Dobro•7 Out 2026•9 min de leitura

    Você mandou currículo pra dezenas de vagas, e finalmente chegou o e-mail: "gostaríamos de conversar com você". A alegria dura uns cinco minutos. Depois vem o frio na barriga. E se perguntarem algo que eu não sei? E se pedirem pra programar ao vivo? E se descobrirem que eu "não sou bom o suficiente"?

    Esse medo é tão comum que virou uma das objeções que mais ouvimos aqui na Dev em Dobro: "eu até consigo a entrevista, mas travo na hora e não passo". A boa notícia é que a entrevista para vaga de programador júnior não é uma prova de que você sabe tudo. Ninguém espera isso de um júnior. Ela é uma conversa pra entender se você tem base, se sabe aprender e se dá pra trabalhar com você no dia a dia.

    E isso dá pra treinar. Neste guia a gente vai te mostrar o que costuma cair em cada etapa, como se preparar pra cada uma e como agir quando der aquele branco.


    O que a empresa realmente avalia num júnior

    A resposta direta: base técnica, capacidade de aprender e comunicação. Não é quantidade de tecnologia no currículo.

    Quando uma empresa contrata um júnior, ela sabe que vai investir tempo ensinando. Então a pergunta que o entrevistador faz na cabeça dele é: "essa pessoa vai evoluir rápido se a gente der direção?". Pra responder isso, ele observa três coisas:

    • Fundamentos: você entende o que está fazendo ou só copiou de algum lugar?
    • Raciocínio: quando não sabe a resposta, como você pensa pra chegar nela?
    • Postura: você fala com clareza, admite o que não sabe e demonstra vontade de aprender?

    Perceba que nenhuma dessas coisas exige que você seja um gênio. Exige preparo e honestidade. É exatamente isso que a gente vai trabalhar daqui pra frente.


    As etapas mais comuns do processo seletivo

    Cada empresa tem seu formato, mas a maioria dos processos pra vaga júnior segue uma lógica parecida. Saber o que vem pela frente já tira metade da ansiedade.

    1. Triagem com RH ou recrutador

    É uma conversa mais leve, geralmente por vídeo. O recrutador quer entender sua trajetória, por que você quer trabalhar com programação, sua disponibilidade e sua expectativa salarial. Aqui não cai código. Cai clareza sobre a sua história.

    2. Teste técnico

    Pode ser um desafio pra fazer em casa (com prazo de alguns dias), uma plataforma de exercícios online ou um problema resolvido ao vivo. Pra júnior, o mais comum é o desafio pra entregar: montar uma tela, consumir uma API, fazer um pequeno CRUD.

    3. Entrevista técnica

    Uma conversa com alguém do time de desenvolvimento. Normalmente envolve perguntas sobre conceitos, sobre o teste que você entregou e sobre os seus projetos. Às vezes rola um exercício ao vivo.

    4. Conversa com liderança ou cultura

    O gestor quer saber se você combina com o time. Perguntas sobre como você lida com erro, com feedback, com prazo apertado e com trabalho em equipe.

    Nem todo processo tem as quatro. Mas se você estiver preparado pra elas, nenhuma etapa te pega de surpresa.


    Como se preparar pra parte técnica

    A resposta direta: revise fundamentos, domine seus próprios projetos e pratique resolver problema falando em voz alta.

    Revise os fundamentos da sua stack

    Se você está indo pra uma vaga de front-end, é quase certo que vão perguntar sobre HTML semântico, CSS (flexbox, grid, responsividade) e JavaScript: tipos, funções, arrays, manipulação do DOM, requisições assíncronas com fetch e async/await. Se a vaga pede React, revise componentes, props, estado e hooks básicos.

    Você não precisa saber o funcionamento interno de tudo. Precisa saber explicar com suas palavras o que cada coisa faz e quando usar.

    Um exemplo de pergunta clássica: "qual a diferença entre let, const e var?". Responder isso com segurança e um exemplo simples vale mais do que decorar uma definição de livro.

    Conheça seus projetos como a palma da mão

    Esse é o ponto que mais derruba júnior. A pessoa coloca um projeto no portfólio e, na entrevista, não consegue explicar por que fez daquele jeito. Ou pior: não lembra como funciona uma parte que ela mesma escreveu.

    Antes da entrevista, abra cada projeto e responda pra você mesmo:

    • Qual problema esse projeto resolve?
    • Por que escolhi essas tecnologias?
    • Qual foi a parte mais difícil e como resolvi?
    • O que eu faria diferente hoje?

    Essa última pergunta é ouro. Mostrar que você enxerga os pontos fracos do próprio código é sinal claro de maturidade.

    Pratique pensar em voz alta

    Em exercício ao vivo, o entrevistador se importa mais com o seu raciocínio do que com a resposta perfeita. Então treine resolver pequenos problemas narrando o que está pensando: "primeiro vou entender a entrada, depois vou percorrer o array, vou guardar o resultado aqui...".

    Faça isso sozinho, gravando a tela, ou com um colega. Parece estranho no começo, mas é isso que transforma um silêncio desesperado numa conversa produtiva.


    Como mandar bem no teste técnico pra fazer em casa

    O teste pra levar pra casa é a sua chance de mostrar como você trabalha de verdade. E aqui alguns detalhes fazem uma diferença enorme.

    1. Leia o enunciado inteiro duas vezes. Muita gente perde a vaga por não entregar o que foi pedido.
    2. Entregue o básico funcionando antes de enfeitar. Um projeto simples e completo ganha de um projeto ambicioso pela metade.
    3. Capriche no README. Explique como rodar o projeto, quais decisões você tomou e o que faria com mais tempo.
    4. Faça commits organizados. Quem avalia olha o histórico do Git. Commits com mensagens claras mostram que você sabe trabalhar em time.
    5. Respeite o prazo. Se não conseguir terminar tudo, entregue o que tem e explique o que faltou. Sumir é bem pior que entregar incompleto.

    E sobre IA: use como apoio pra tirar dúvida, mas entenda cada linha que você entregar. Na entrevista seguinte vão perguntar sobre o seu código. Se você não souber explicar, a conta chega na hora.


    Perguntas comportamentais: o que dizer

    Muita gente foca só no técnico e chega despreparada pra parte mais "humana". Só que ela pesa, e muito, especialmente pra júnior.

    Algumas perguntas que aparecem com frequência:

    • "Me fala sobre você." Conte sua trajetória em até dois minutos: de onde veio, por que escolheu programação, o que já construiu e o que busca agora. Treine isso antes. Se você vem de outra área, use isso a seu favor: experiência com atendimento, vendas, logística ou qualquer outra coisa mostra que você sabe lidar com gente e com responsabilidade.
    • "Conta de um problema difícil que você resolveu." Escolha um bug ou desafio real de algum projeto. Explique a situação, o que você tentou, o que deu errado e como chegou na solução.
    • "Por que você quer trabalhar aqui?" Pesquise a empresa antes. Entenda o produto, o que ela faz, quem são os clientes. Uma resposta específica mostra interesse real.
    • "Você tem alguma pergunta pra gente?" Sempre tenha. Pergunte como é o dia a dia do time, como funciona o acompanhamento de quem está começando, quais tecnologias usam. Não ter pergunta passa desinteresse.

    "E se der branco ou eu não souber a resposta?"

    Vai acontecer. Com todo mundo. E a forma como você reage diz mais sobre você do que a resposta em si.

    Nunca invente. Entrevistador técnico percebe na hora quando alguém está enrolando, e isso queima sua credibilidade pro resto da conversa.

    Em vez disso, diga algo como: "Não tenho certeza sobre isso, mas pelo que entendo funciona assim... Se eu estivesse no trabalho, eu pesquisaria na documentação pra confirmar." Isso mostra honestidade, raciocínio e autonomia. Três coisas que todo time quer num júnior.

    Se o branco for de nervoso, peça um momento. "Posso pensar um pouco?" é uma frase totalmente aceitável. Respire, releia o problema e comece pelo que você sabe.


    Os erros que mais eliminam júnior na entrevista

    1. Decorar respostas sem entender. Basta uma pergunta de acompanhamento pra tudo desmoronar.
    2. Não saber explicar o próprio projeto. Se está no portfólio, você precisa dominar.
    3. Falar mal de empresa ou chefe anterior. Mesmo que tenha motivo, isso pega mal.
    4. Desistir depois de um "não". Reprovação faz parte do processo. Cada entrevista é treino pra próxima.

    Sobre esse último ponto, vale reforçar: quase ninguém passa na primeira entrevista que faz. A gente vê isso o tempo todo com nossos alunos. Quem conquista a vaga geralmente é quem continuou aplicando, pediu feedback quando possível e ajustou o que não funcionou.


    Um roteiro rápido pra semana da entrevista

    • 3 a 5 dias antes: pesquise a empresa, releia a descrição da vaga e revise os fundamentos das tecnologias pedidas.
    • 2 dias antes: revisite seus projetos e treine sua apresentação pessoal em voz alta.
    • 1 dia antes: prepare suas perguntas pro entrevistador, teste câmera, microfone e internet se for remoto.
    • No dia: chegue (ou entre na chamada) alguns minutos antes, tenha água por perto e lembre: é uma conversa, não um interrogatório.

    Você não precisa se preparar sozinho

    Se preparar pra entrevista fica muito mais fácil quando você tem base sólida, projetos que sabe defender e alguém pra te dar um toque honesto sobre onde melhorar.

    Aqui na Dev em Dobro a gente prepara nossos alunos pra isso desde o começo: fundamentos na ordem certa, projetos reais pro portfólio, comunidade pra trocar experiência de processo seletivo e orientação pra chegar no primeiro emprego como programador(a), mesmo sem faculdade e sem experiência anterior na área.

    Se você quer chegar na próxima entrevista com mais segurança, conheça o Dobro Pass, nosso acesso completo a todas as formações e cursos, com acompanhamento em cada etapa e comunidade no Discord.

    A vaga vem pra quem se prepara e não desiste. A gente caminha com você.


    Quer continuar? Leia também: "Como Montar um Currículo de Programador Sem Experiência" e "Como Saber se Você Está Pronto pra Aplicar pra Vaga de Programador".

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